Geografia
O deserto do Saara, no qual se distinguem dois trechos, um dominado por
dunas arenosas e denominado Erg, e outro bastante pedregoso denominado Hamadas, compreende parte dos seguintes países e territórios:
Argélia,
Chade,
Egito,
Líbia,
Mali,
Mauritânia,
Marrocos,
Níger,
Saara Ocidental,
Sudão e
Tunísia. Atualmente vivem cerca de 2,5 milhões de pessoas na região do Saara.
A área do deserto também inclui parte da bacia do
Rio Nilo, as montanhas
Aïr,
Hoggar,
Atlas,
Tibesti e
Adrar des Ifoghas, e as subregiões do
Deserto da Líbia, do
Deserto da Núbia, do
Ténéré e do
Deserto Oriental Africano. No interior do Saara, existem alguns poucos e dispersos
oásis formados devido ao afloramento de
aquíferos subterrâneos, estando entre eles os
oásis de
Bahariya,
Ghardaïa,
Timimoun,
Kufra e
Siwa. As fronteiras do Saara são o
Oceano Atlântico a oeste, a cordilheira do Atlas e o
Mar Mediterrâneo a norte, o
Mar Vermelho a leste e o
Sahel a sul. O Saara divide o continente africano em duas partes, o
Norte da África e a
África Sub-Saariana. A fronteira saariana ao sul é marcada por uma faixa semi-árida de
savana chamada Sahel.
Os limites do Saara podem também ser definidos por critérios
botânicos,
definidos por Frank White, que correspondem a zonas climáticas (por
exemplo, definidas por Robert Capot-Rey). O limite norte coincide com a
região em que se cultiva a
tamareira (nos
oásis) e com o limite sul do
esparto, uma
poácea típica do
clima mediterrânico; este limite corresponde igualmente à
isoieta (linha de igual
precipitação anual) dos 100 mm. A sul, o Saara limita com o Sahel, uma cintura de savana seca com um
verão chuvoso, que se estende através de toda a
África. Aí o limite é definido pela Cornulaca monacantha, uma
quenopodiácea tolerante à
seca, ou pelo limite norte do
Cenchrus biflorus,
uma grama característica do Sahel, o que corresponde à isoeta de 150
mm. Este valor é a média de muitos anos, uma vez que a precipitação
varia muito de um ano a outro.
[4][5],
[6]
Paleoclima
Panorama do Deserto do Saara na
Líbia.
O clima da região que compreende hoje o Saara sofreu enormes
variações, indo várias vezes do seco ao úmido durante os últimos cem mil
anos chegando a mais de 50 graus e muito seco as 1 hora da tarde onde
chega 53 graus celsius.
[7] . Durante a última
Era do Gelo, o Saara era maior do que é hoje, estendendo para o sul além de seus limites atuais.
[8] O fim da idade de gelo trouxe épocas melhores ao Saara no período compreendido entre aproximadamente
8000 a.C. a
6000 a.C., isto devido a área de baixa pressão que acompanhou o desmoronar do
manto de gelo ao norte.
[9]
Quando a Era do Gelo se foi, a parte norte do Saara secou. Entretanto, não muito tempo depois,
monções trouxeram
chuva ao Saara, neutralizando a tendência de desertificação do Saara na parte sul.
Sabe-se que ar sobre o planeta Terra move-se por
convecção
de forma a redistribuir a energia pelo planeta, e ascensões de ar,
puxando no ar úmido do oceano, causam geralmente chuvas em determinadas
regiões. Paradoxalmente, o Saara estava mais úmido quando recebeu mais
insolação no verão. Por sua vez, todas as mudanças na insolação são causadas por mudanças na
geofísica da
Terra..
[10]
Ao redor de
2500 a.C., as
monções recuaram para o sul onde está hoje,
[11] que conduziram a
desertificação
do Saara. O deserto está atualmente árido na forma que o conhecemos
hoje há aproximadamente 13.000 anos. Estas circunstâncias são
responsáveis para o que foi chamado de
Teoria da Bomba do Saara.
O Saara é conhecido por ter um dos climas mais áridos do mundo. O
vento que vem do nordeste, prevalece e pode por várias vezes fazer com
que a
areia dê forma a "
furacões". As
precipitações,
muito raras mas não desconhecidas, acontecem ocasionalmente nas zonas
de beira-mar ao norte e ao sul, e o deserto recebe aproximadamente 25 cm
de chuva em um ano. As
chuvas acontecem muito raramente, geralmente torrenciais após os longos períodos secos, que podem durar anos.
No dia 18 de fevereiro de 1979, no sul da Argélia, nevou pela
primeira e única vez neste deserto. A tempestade de neve durou apenas
meia hora e não deixou vestígios, pois a neve derreteu em poucas horas
[12].
Fauna